Todo final de ano é aquela mesma novela... traçamos metas, prolongamos as atitudes, planejamos os meses e inventamos justificativas para as coisas ruins que aconteceram ao decorrer do ano que está se passando.
Os tarôs, as runas, as cartas, as religiões, já invocam tudo quanto é tipo de Santo que nós protegerá nestes novos 365 dias, a numerologia já determina as características do ano.
Nessa época as supertições sempre são lembradas. Pular as 7 ondas, comer 7 uvas verdes e guardar os caroços dentro da carteira, lentilha e as cores das roupas.
Lá em casa, tínhamos uma regra anual, no último dia do ano vigente, colocavamos um saco cheio de lentilhas e dinheiro atrás da porta, diziam que atraia fortuna, sim e como atraia, nas épocas das vacas magras meus pais assaltavam o saquinho para comprar pão e leite.
Comíamos lentilha em baixo da mesa, depois da meia noite, quem não estava com vontade de se amassar e disputar o seu lugar embaixo da mesa, não teria sorte no ano que se iniciava.
E na hora de escolher a cor da calcinha? Eu sempre ambiciosa, vestia uma amarela, simbolizando o dinheiro, nunca tirei os pés da lama, mas acredito que se não fosse essa minha persistência poderia estar bem pior. Sem falar que teve um ano que eu coloquei uma calcinha branca e costurei lacinhos de fita mimosa coloridos, aquele ano eu estava gulosa, queria riqueza, amor, paz, esperança e saúde.
O vestuário desse ano, não será novo, pobre não pode se dar ao luxo de comprar roupa nova a cada ano que passa, pobre tem que ser criativo e incrementar a roupa do ano passado.
Essa coisa de trocar de ano só serve mesmo para a gente desacelerar, fazer uma limpeza nas coisas velhas da casa e começar de novo.
Alguém decidiu que a contagem dos anos deveriam ser de 365 dias, mas acredito que na nossa vida sabemos quando é hora de fazer "aquela" mudança, limpar, usar roupas que lhe tragam paz, meditar, acender alguns incensos, rezar, enfim, criar metas para cumprir a curto prazo e fazer tudo diferente. Comemoremos, sempre o segundo novo.
Feliz 2006.